24 07 2019 policia alunos barradosAs famílias de ao menos nove crianças, inicialmente barradas em uma exposição em um shopping na zona nobre de São Paulo, acionaram a Justiça contra o centro de compras e uma ONG por danos morais.

Elas faziam parte de uma excursão de Guaratinguetá (SP) que, conforme relato das educadoras, foi impedida de entrar no shopping por uma funcionária da exposição, que alegou ser local ‘de elite’. A primeira audiência será nesta terça (23/07).

Apesar de, na época ter 'lamentado a experiência das crianças' e a 'maneira como todos se sentiram', a ONG afirma que elas não foram barradas e alegou que o grupo chegou 1h30 antes da abertura da mostra e 3h antes do horário agendado para a visita.

O caso ocorreu em março deste ano quando cerca de 120 alunos com idades entre seis e 10 anos foram ao local para a exposição ‘Mickey 90 anos’, no shopping JK Iguatemi - a mostra foi promovida pela ONG Orientavida. Segundo a responsável pelo passeio, o grupo já tinha os ingressos para a exposição, mas decidiram chegar mais cedo para incluir um almoço para experimentarem, muitos pela primeira vez, um lanche de 'fast food’.

Na chegada ao shopping, uma funcionária da exposição abordou os educadores e informou que o local não poderia receber o grupo de alunos alegando que o espaço era de ‘elite’. O acesso só foi liberado após negociação e parte do grupo acabou, por causa do impasse na entrada, deixando de comer no local. Os alunos são membros de uma comunidade carente que fica a cinco horas de ônibus de São Paulo e ganharam o passeio pelo bom desempenho da escola.

Para os advogados que representam as famílias, as crianças foram expostas a uma situação vexatória de discriminação. As ações de indenização por dano moral foram abertas individualmente e são contra o shopping e a ONG Orientavida, responsável pela exposição e que havia organizado com os alunos a excursão. As famílias pedem indenização, de R$ 39,9 mil, cada uma, por danos morais.

O caso

Os alunos saíram da zona rural de Guaratinguetá para a excursão. A escola contou que depois de ganharem os ingressos e, com o apoio da prefeitura no transporte, a equipe da escola e os pais se reuniram para arrecadar o necessário para que as crianças passassem um dia no shopping – muitos deles nunca tinham estado em um centro comercial.

O grupo antecipou a chegada ao local para incluir o almoço em uma rede de ‘fast food’, mas relataram que foram barrados na porta. À época, a diretora da escola, Jozeli Gonçalves, contou que eles aguardaram do lado de fora por cerca de 30 minutos depois de ouvirem da funcionária que o espaço era ‘de elite’. Além disso, o acesso só foi liberado após a prefeitura entrar em contato com a administração do shopping.

Por causa da espera, um grupo com crianças menores deixou o local e foi a outro restaurante, do lado de fora do espaço, indicado pela funcionária que os barrava. Essa mulher, depois foi identificada pelo shopping, como funcionária do receptivo da mostra.

Segundo a ação na Justiça, após entrar, o grupo passou a ser escoltado por seguranças e depois de deixar a praça de alimentação e tentar voltar para tomar sorvete no shopping foi impedido. Os alunos ainda teriam sido obrigados a transitar pela área de ‘docas’ do shopping, não passando pelos corredores do centro comercial.

Após a repercussão do caso, a ONG ofereceu ao grupo um novo passeio. Apenas parte dos alunos esteve na nova excursão. Alguns dos pais alegaram que não queria expor as crianças a chance de um novo episódio de discriminação. A funcionária que recepcionou os alunos foi demitida após o episódio.

Outro lado

A ONG Orientavida disse em nota que "as crianças jamais foram barradas na exposição do Mickey no shopping JK". Veja nota:

"A ideia de que as crianças não viram a exposição é falsa. Na primeira vez em que estiveram no shopping, na segunda-feira (18), as 120 crianças visitaram a exposição, inclusive no horário em que estava marcada, ou seja, às 15h30. Ocorre que a turma chegou por volta das 12h30 no shopping. A exposição abre para o público às 14h e, como as segundas feiras eram dedicadas a receber apenas grupos de escolas públicas, ONGs e entidades sem fins lucrativos, que visitam a exposição gratuitamente, era preciso aguardar o horário de entrada e respeitar as outras instituições, que reservaram os horários anteriores. Vale ressaltar que em 90 dias de exposição, mais de 5 mil pessoas de 70 entidades visitaram o espaço gratuitamente".

O JK Iguatemi foi procurado pela reportagem do G1, mas não quis comentar.

A audiência entre as partes, na terça-feira (23/07), terminou sem acordo


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