19 03 2019 regiao taubate camaraA Câmara de Taubaté reduziu pela metade a cota mensal de combustível de cada gabinete de vereador. Desde 2014, cada gabinete podia utilizar até 600 litros de combustível por mês. Agora, o limite mensal passou para 300 litros.

A medida foi tomada pela mesa diretora, que é presidida por Boanerge dos Santos (PTB). O ato foi publicado no Boletim Legislativo da última sexta-feira.

O novo ato manteve outras duas determinações do anterior: "o uso dos veículos oficiais, durante o expediente ou fora dele, destinado aos gabinetes, é de inteira responsabilidade dos vereadores, vedado o uso nos feriados, sábados e domingos, exceto quando, devida e antecipadamente, justificado e autorizado pela presidência"; e "salvo nos casos de viagens de representação da Câmara, os veículos oficiais deverão ser recolhidos diariamente na garagem da Câmara Municipal até às 22h".

Ecos da farra

A redução pela metade da cota de combustível dos gabinetes entra para a lista de medidas adotadas por Boanerge, que assumiu a presidência em janeiro, em resposta ao escândalo da 'Farra das Viagens', revelado pelo jornal em julho de 2018, quando a Casa era comandada por Diego Fonseca (PSDB).

O caso, que é investigado pelo Ministério Público nas esferas cível e criminal, envolve 14 parlamentares, sendo 13 vereadores e um suplente. No fim do ano passado, após recomendação da Promotoria do Patrimônio Público, eles já devolveram mais de R$ 14 mil que haviam recebido em 70 viagens com irregularidades.

Assim que assumiu a Câmara, Boanerge enviou 12 dos 20 veículos e 13 dos 21 motoristas do Legislativo para a prefeitura.

A Casa também rescindiu o contrato de aluguel de um imóvel que era utilizado como garagem. O custo era de cerca de R$ 60 mil por ano.

Outra medida adotada foi o corte de 50% nos contratos de fornecimento de combustível (que custaria R$ 391 mil em 12 meses) e de serviços como alinhamento, balanceamento e cambagem (que custaria R$ 7,5 mil em 12 meses).

Com esse conjunto de medidas, a Câmara espera economizar mais de R$ 1 milhão por mês.

Contra-ataque

Após o corte de veículos e motoristas, Boanerge, que não está envolvido na 'Farra das Viagens', passou a ser criticado publicamente por outros vereadores, citados no escândalo. Eles alegavam que a medida dificultaria a atuação dos parlamentares.

O petebista também foi alvo de ações judiciais movidas pelos motoristas da Câmara e por advogados que representam esses servidores.


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