18 11 2020 brasil tse milhoes computadorO aluguel do "supercomputador" que falhou nas eleições municipais no último domingo, provocando lentidão na divulgação dos resultados, custou R$ 26 milhões aos cofres públicos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o problema já foi resolvido e a Oracle, empresa responsável, prestou assistência à Corte.

A falha foi provocada por um algoritmo de inteligência artificial que funcionou de forma mais lenta do que previsto. O papel do algoritmo, esclareceu o TSE é ajustar o desempenho da máquina para a demanda de processamento de dados.

Isso significa que, através de inteligência artificial, a máquina da Oracle aprende quanto de sua capacidade irá dedicar a uma operação específica — como se fosse um forno aprendendo a calibrar a temperatura de acordo com a comida que irá preparar.

Esse algoritmo não foi treinado antes para o volume e a rapidez dos dados das eleições, como seria necessário. Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, o presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, disse que a máquina chegou depois do esperado, em agosto, e por isso não houve tempo para fazer testes para calibrar o computador.

Marcel Saraiva, gerente da NVIDIA Enterprise, fornecedora de hardware para datacenters, frisa que a inteligência artificial sempre funciona "aprendendo" com base em um histórico de testes. É isso que a distingue de outros programas de computador. Por isso, algoritmos desse tipo não são infalíveis.

— A inteligência artificial tende a resolver alguns problemas, através de modelos matemáticos, em um sistema digital. Essas tarefas normalmente são bem específicas, e nelas o algoritmo não acerta em 100% dos casos. Há limitações que são só identificadas quando a máquina está operando.

Além de compilar os resultados, o servidor da Oracle recebeu dados criptografados dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), ou seja, ele não fez apenas a operação de "somar" tabelas, segundo o TSE.

O preço se explica, segundo fontes de área, pelo fato de que o servidor é hospedado dentro do datacenter do TSE e não em "nuvem", como seria habitual nesses casos, devido à preocupação com a segurança de manter os dados dos eleitores dentro do território brasileiro.

Outro fator que encarece o contrato é que o tribunal contratou o equipamento com 100% de sua capacidade, e não para pagar só pelo uso.

A contratação do serviço da Oracle pelo TSE por 48 meses, sem licitação, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em março deste ano. O contrato também inclui manutenção. Funcionários da Oracle trabalharam com o TSE neste domingo para resolver o problema da lentidão.

Após a eleição, a máquina já está "treinada". Por isso, o problema não deve afetar o segundo turno, segundo o TSE, inclusive porque o volume de dados será menor.

Treino com tabelas vazias

Em nota divulgada na noite de terça-feira (17/11), o TSE afirmou que realizou cinco testes da totalização dos votos, mas só dois com o equipamento da Oracle. Em nenhum deles, porém, foi simulado um ambiente igual ao da eleição.

A Corte explicou ainda que, no domingo, treinou o equipamento para lidar com um conjunto de tabelas vazias. No jargão técnico, a equipe montou um "plano de execução" com parâmetros errados.

Por isso, o algoritmo de inteligência artificial demorou para aplicar as configurações corretas diante do cenário real, quando houve uma enxurrada de "mais de um milhão de linhas por minuto" de dados eleitorais nas tabelas.

"É normal que a aprendizagem da inteligência artificial do equipamento consuma tempo. Porém, isso poderia ter sido evitado com a realização de testes para calibrar o otimizador", diz a nota técnica do TSE.

"Fazendo-se uma analogia, o 'plano de execução' corresponderia a uma consulta à situação do trânsito até um determinado destino. Se essa consulta for feita exatamente na hora de sair de casa, haverá informação mais adequada do melhor caminho a seguir. Caso essa consulta seja feita com maior antecedência, a rota anteriormente escolhida poderá não ser a melhor e estar congestionada, causando maior demora até chegar ao destino final."

O TSE frisa ainda que "a Oracle cumpriu, no curso do episódio, todas as obrigações assumidas" em relação à manutenção e que "a falha no plano de execução no primeiro turno não se repetirá no segundo turno".


26 11 2020 regiao crz numero corona

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