bn luiz octavio mega feirao nov 2019   bn pref crz 24 09 2019   an pao quente 01

03 12 2019 policia joao deus abuso sexualO Ministério Público de Goiás apresentou mais uma denúncia contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, elevando para 11 o número de ações contra o líder espiritual por crimes sexuais. Desta vez, João de Deus é acusado de estuprar quatro mulheres entre 2010 e 2016 e outras sete entre 1976 e 2008 - nestes últimos casos, o crime prescreveu.

De acordo com a promotora de Justiça Renata Caroliny, as vítimas eram do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Bahia. Nos casos prescritos, as mulheres eram de Pernambuco, Maranhão e Espírito Santo. Ao todo, o médium já foi denunciado por crimes sexual contra 57 pessoas cujos crimes ainda não prescreveram.

Renata Caroliny afirma que os perfis das vítimas eram os mais diversos e envolviam mulheres que sofriam de depressão, câncer e até epilepsia e que buscavam tratamento com João de Deus. Ele se aproveitava da fragilidade das mulheres.

"Além de explorar a vulnerabilidade das vítimas, que já estavam cometidas por doenças muito graves, ele ainda explorava e intensificava suas vulnerabilidades fazendo ameaças espirituais", afirma Caroliny. "Essas ameaças eram promessas de mal futuro que nunca se poderia provar, um mal muito grave".

Ainda segundo o Ministério Público, o médium afirmou a algumas vítimas que elas teriam dificuldades de engravidar ou que já estariam sofrendo por um 'trabalho espiritual' feito por outras pessoas. "Tudo isso para incutir mais medo e criar um ambiente propício para a prática de abuso sexual", afirma a promotora.

Segundo o Ministério Público, 319 mulheres procuraram a Promotoria para denunciar João de Deus. Desse total, 194 formalizaram denúncias contra o médium. Em 87 casos, os atos prescreveram - incluindo os dois casos presentes na denúncia desta segunda, cujas supostas vítimas, à época do crime, eram adolescentes de 14 e 12 anos.

Prisão. Detido desde 16 de dezembro do ano passado, João de Deus responde agora a onze denúncias por crimes sexuais e outras duas por porte ilegal de arma de fogo. Em junho, a defesa do médium recorreu ao Supremo Tribunal Federal para rever sua prisão preventiva.

A defesa alegou que João de Deus, além de idoso, é portador de insuficiência coronariana, e que sua custódia - estaria fundamentada apenas no clamor público e no abalo à paz e à tranquilidade pela eventual soltura - do líder espiritual.

O caso foi analisado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que negou a concessão de prisão domiciliar ou conversão da preventiva do médium por outras medidas cautelares alternativas.


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