bn cmc 26 08 2019        an luiz octavio        bn pref crz setembro 2019

 

31 07 2019 policia taubate livroA Defensoria Pública pediu em caráter liminar à Justiça que o livro “Diário de Tremembé – O presídio dos famosos”, escrito pelo ex-prefeito de Ferraz Vasconcelos e detento Acir Filló, tenha a venda suspensa. A proibição de venda da obra também foi alvo de um pedido feito pelo Ministério Público (MP).

O volume é alvo de uma apuração da Justiça porque traria detalhes de crimes e a rotina dos detentos na prisão, entre eles casos de repercussão. Entre as alegações apuradas está a possível fraude no estado de saúde do ex-médico Roger Abdelmassih para conseguir prisão domiciliar. O médico Carlos Sussumu perdeu o direito ao regime semiaberto após uma acareação (leia mais e abaixo). O caso será investigado pela Polícia Civil.

Na manifestação, que é de segunda-feira (29/07) e foi assinada pelo defensor Saulo Dutra de Oliveira, o órgão pede que além da proibição, a Justiça envie um ofício à penitenciária P2 de Tremembé para “levantamento de todos os presos que tiveram suas vidas narradas no livro (que não são defendidos por advogados constituídos)" e que sejam colhidas declarações sobre eventual autorização na divulgação do livro.

A obra aborda também relatos atribuídos a outros casos de repercussão, como Alexandre Nardoni, Cristian Cravinhos, Gil Rugai, Lindenberg Alves, Mizael Bispo de Souza e Guilherme Longo. No livro, Acir Filló, preso por crimes ligados à administração pública, diz ter entrevistado os detentos e traz detalhes dos crimes e suas rotinas na prisão.

O que diz a defesa de Acir Filó

Procurada pela reportagem, a advogada Lygia Frazão, responsável pela defesa de Acir Filó, informou que é contrária ao posicionamento da Defensoria Pública, assim como o do MP, por considerar que o acesso à informação é pilar fundamental em um Estado Democrático de Direito e que qualquer proibição neste sentido fere os princípios da Liberdade de Expressão.

A defesa de Filó ainda ressaltou que considera que qualquer pedido cabível ao caso é uma questão de caráter pessoal de cada detento.

O que diz a defesa de Carlos Sussumu

O advogado Salvador Mustafa, responsável pela defesa de Carlos Sussumu, informou que o médico não teve acesso ao conteúdo do livro escrito por Acir Filló.

“Da maneira como está colocado no livro do Acir, é como se fosse o que ele [Sussumu] fala. O Carlos autorizou, só que o conteúdo não condiz com o que o Carlos falou. Ele não teve oportunidade de alterar o conteúdo. Ele nem estava lá na penitenciária na época", explica.

A família de Acir divulgou um termo assinado por Sussumu no qual ele autoriza o uso de depoimentos no livro (veja abaixo). De acordo com a defesa do médico, ele foi levado para São Paulo em 17 de abril para uma cirurgia de coluna no hospital Sírio Libanês e de lá transferido para o centro hospitalar penitenciário, só retornando em junho à P2 em Tremembé, mês do lançamento do livro.

"O maior prejudicado foi o Carlos [Sussumu] porque a juíza deu uma decisão cautelar e sustou o regime semiaberto dele, que com isso, voltou ao regime fechado. Vamos pedir uma interpelação e consequentemente, também terá uma ação de indenização de dano moral. Vamos pedir para que o Acir se retrate judicialmente", disse Mustafa.

Apuração

A obra foi publicada em junho com manuscritos feitos pelo próprio detento, que entregava o material escrito à esposa durante visitas na unidade. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) abriu investigação para apurar a atitude do interno, que considera uma falta grave – já que o livro revela nomes de funcionários e procedimentos dentro da unidade prisional e ele não teria tido autorização para a produção.

Entre as revelações trazidas no livro estão uma fraude no quadro clínico de Roger Abdelmassih, ex-médico preso condenado pelo estupro de pacientes. Ele cumpre pena domiciliar desde 2017, quando teve atestado quadro grave de cardiopatia à justiça e conseguiu o benefício.

Em entrevista a Acir no livro, o detento Carlos Sussumu, que atua como médico para remissão de pena na unidade, teria contado que ajudou Roger a fraudar o quadro de saúde.

"Eu sugeri os remédios que causaram complicações cardíacas em Roger Abdelmassih a pedido dele. Fui eu que atestei sua situação clínica, que o beneficiou com a prisão domiciliar em 2017. A doença do Roger é uma fraude, foi fabricada, é artificial. Ele não tem nenhum problema de saúde que simples medicação não resolva", diz trecho atribuído a Carlos Sussumu no livro.

O Fantástico teve acesso ao vídeo da acareação entre autor e entrevistado para a juíza da VEC, Sueli Zeraik, em que Sussumu assume ter indicado a Roger qual medicação usar e fraudado um laudo que estava um quadro clínico mais grave que o real. (veja vídeo abaixo)

Em resposta, a Justiça pediu a abertura de um inquérito policial para apurar o caso e determinou que as declarações fossem avaliadas pela Justiça, levando em conta a possibilidade de fraude – o que poderia reverter o benefício de Roger. O fato também foi decisivo para que Sussumu perdesse o direito ao regime semiaberto.

Audiência com presos

No livro, Acir ainda conta que entrevistou Mizael Bispo, Alexandre Nardoni, Cristian Cravinhos, Lindembergh Alves e Guilherme Longo.

Em junho, todos eles saíram juntos da penitenciária para prestar esclarecimentos à Justiça sobre o livro. O vídeo a que o Fantástico teve acesso traz trechos dos depoimentos deles, em que negam a versão do autor de que teriam dado entrevistas.

Na contracapa da obra, Acir conta que Cristian Cravinhos, envolvido na morte dos pais de Suzane Richthofen teria dito que ela bateu nos pais no dia do crime. Na gravação ele alega que depois de ver o livro, chegou a ameaçar entrar na Justiça contra o ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos.


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