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30 07 2019 policia medico investigadoA Justiça determinou que o detento Carlos Sussumu, investigado por suposta fraude para forjar a situação médica do ex-médico Roger Abdelmassih, volte a cumprir pena em regime fechado.

O médico, que cumpria pena no regime semiaberto e fazia atendimentos médicos na prisão, disse à Justiça que não prescreveu, mas que indicou medicação que podia alterar o quadro clínico de Abdelmassih para obtenção da prisão domiciliar. Com a decisão, Sussumu voltou a cumprir, desde a última quarta-feira (24/07), pena na cela e perdeu o direito às 'saidinhas'.

Sussumo cumpre pena por extorsão e associação criminosa na P2 de Tremembé - conhecida por abrigar presos de casos de grande repercussão. Médico e com registro ativo, ele atuou em 2017 no ambulatório da unidade em troca de redução de pena por dia trabalhado. Ele foi um dos detentos que atendeu Roger Abdelmassih – preso na época em Tremembé, condenado a 181 anos de reclusão por estuprar pacientes.

Sussumu passou a ser investigado depois que supostas declarações dele foram incluídas no livro ‘Diário de Tremembé’, escrito pelo também preso Acir Filó. Na obra, lançada mês passado, constam relatos em que Sussumu admite ter atuado em prol da suposta fraude ao emitir relatório médico falso para o ex-médico, de 74 anos.

Acir escreveu no livro que Sussumu disse ter produzido um laudo falso atestando quadro de cardiopatia grave em Abdelmassih, além de ter indicado, após questionamentos de Roger, medicamentos que pudessem elevar a pressão arterial. A intenção era que Abdelmassih conseguisse a prisão domiciliar, concedida pela Justiça em 2017.

Quando a juíza Sueli Zeraik, da Vara de Execuções Criminais (VEC), soube do livro, abriu um processo para investigar a obra e as informações que constam nela. Os presos 'famosos', citados na obra, além do autor Acir e Sussumo, foram convocados no fórum para prestar esclarecimentos.

À magistrada, o médico Sussumu admitiu ter emitido o documento, sendo "um relatório médico que não condizia com a realidade". Na acareação, gravada em vídeo que o Fantástico teve acesso e exibido no domingo (28/07), Sussumu também pôs em dúvida o quadro de saúde de Roger.

“Ele está há dois anos em prisão domiciliar e está vivo. Se ele tivesse uma falência do coração no nível 4 [como apontado], essa hora ele estaria morto”. Sussumu não faz mais atendimentos no presídio.

Penalidade

Com base no depoimento, a juíza pediu a regressão de regime de Carlos Sussumo para o regime fechado. Ele permanece na P2 de Tremembé, mas desde a última quarta-feira (24/07) ocupa uma cela com até seis presos, dentro da área murada do presídio, onde vigilância armada. A regressão é cautelar e cabe recurso da defesa.

Antes, no semiaberto - que é um regime mais brando - Sussumu podia sair ao menos três vezes ao ano, em datas comemorativas, e ocupava um pavilhão coletivo.

Além da penalidade, a juíza acionou a Polícia Civil para a apurar eventual crime, além de acionar o Conselho Regional de Medicina (CRM) para investigar se houve fraude no exercício da profissão.

Em nota, a defesa de Abdelmassih informou que a situação de saúde de Roger é muito grave, com prognóstico de tempo de vida curto.

Informou ainda que as acusações no livro "são inverídicas, inclusive a grande maioria delas foi desmentida pelo próprio médico/preso". Acrescentou também que Roger passou por diversos exames cardiológicos, em clínicas indicadas pela própria Justiça.

Livro

A obra foi publicada em junho com manuscritos feitos pelo próprio detento, que entregava o material escrito a sua esposa Viviane Vieira durante visitas na unidade.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) abriu investigação para apurar a conduta do interno, a quem pode ser imputada falta grave – já que o livro revela nomes de funcionários e procedimentos dentro da unidade prisional, sem que tenha havido autorização para a produção. A defesa contesta.

No livro, além de Sussumo, Acir diz ter entrevistado ainda Mizael Bispo (condenado pela morte de Mércia Nakashima), Alexandre Nardoni (condenado pela morte da filha), Cristian Cravinhos (condenado pela morte do casal Richthofen), Lindembergh Alves (condenado pela morte da namorada Eloá) e Guilherme Longo (condenado pela morte do enteado Joaquim). Parcela dos presos negam ter dado entrevista a Acir e outros questionam a versão publicada.

Entre os que questionam está Cristian Cravinhos. No livro, Acir diz que ele teria contado que, antes de matar os pais de Suzane, ela os teria agredido. Cristian negou em depoimento à justiça e disse ainda que, após a publicação, ameaçou Acir, dizendo que iria à Justiça contra o que foi publicado.

Promotoria

Filló é ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos (SP) e está preso por envolvimento em fraudes durante seu governo.

Para o MP, Acir cometeu falta grave ao publicar o livro, já que ele expôs o dia a dia do sistema prisional, funcionários e criado mal-estar e exposição dos colegas detentos. Nesta última sexta-feira (29), o MP pediu que a Justiça proíba a venda do livro. O órgão alega que Filló invadiu a privacidade dos presos lucrando “indevidamente sobre a tragédia alheia”.

Por nota, a defesa de Acir Filló se manifestou contrária ao posicionamento do MP por considerar que "o acesso à informação é um pilar fundamental em um Estado Democrático de Direito, e qualquer proibição neste sentido fere princípio Fundamental da Constituição Federal, ou seja, a Liberdade de Expressão".

Além disso, afirmou que a ausência das autorizações também "não são argumentos suficientes para embasar qualquer proibição ou censura".


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