bn cmc 26 08 2019        an luiz octavio        bn pref crz setembro 2019

 

03 09 2019 brasil papa sinodoA um mês da realização do Sínodo da Amazônia, marcado para outubro em Roma, o Vaticano prepara a lista final de convidados especiais do Papa Francisco para participar das discussões sobre a floresta tropical, com veto à participação de políticos com mandato.

"Não virão políticos com mandato, nem militares. Não participarão", disse ao jornal O Estado de S. Paulo o cardeal d. Cláudio Hummes, relator-geral do Sínodo, nomeado pelo pontífice.

O governo brasileiro havia manifestado, por vias diplomáticas e pelas Forças Armadas, o interesse de ter voz na assembleia mundial de bispos dedicada a discutir problemas socioambientais nos nove países "panamazônicos" e a presença católica na região. O presidente Jair Bolsonaro considera que há "muita influência política" no Sínodo.

O papa abriu espaço para convidados não religiosos, os chamados auditores e peritos, e deve convidar personalidades mundiais, cientistas e ambientalistas para participar das consultas de aconselhamento. "O papa fala muito da necessária fundamentação científica", afirmou d. Cláudio.

Um dos nomes brasileiros na lista é o do climatologista Carlos Nobre. Ele participará das primeiras atividades do Sínodo, que ocorrerá entre os dias 6 e 27 de outubro.

Futuro

Há cerca de duas semanas, Nobre recebeu o convite oficial por e-mail do Vaticano. A lista completa ainda é mantida em sigilo pela Santa Sé, que aguarda as confirmações. Além de aproximadamente 250 bispos, farão parte da assembleia outras lideranças católicas, como padres e leigos, e representantes de povos indígenas.

Engenheiro eletrônico formado no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e doutor em Meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, Nobre é um dos mais respeitados especialistas em mudanças climáticas do País. Foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), além de ter passado por cargos de gestão em órgãos federais durante os governos do PT.

Para ele, a iniciativa do papa "reflete a enorme preocupação global com o futuro da Amazônia". "Essa preocupação é amparada, em escala nacional, na forte oposição da sociedade como um todo ao desmatamento da Amazônia e, em escala regional, na necessidade de ouvir o anseio das comunidades indígenas e de outros povos da floresta que querem preservar os seus valores", disse o pesquisador.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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