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01 11 2019 esportes lesionada jogadora cobraA jogadora Jéssica Silveira, de 26 anos, acusa o Grêmio de omissão e abandono após sofrer uma lesão no joelho durante um treino do time em outubro de 2017, e ainda não ter realizado a cirurgia necessária para se recuperar do problema.

A atleta relatou que foi selecionada para defender a equipe feminina gremista em Porto Alegre depois de participar de uma peneira organizada pelo clube.

O Grêmio, no entanto, alega que o time do qual a lateral-direita fez parte, quando se lesionou, era amador e não tinha benefícios previstos nem vínculo profissional com ela. O caso pode ainda ir parar na Justiça.

O contrato de Jéssica previa, a princípio, ajuda de custo de pouco mais de R$ 200. Mas, segundo a jogadora, o clube prometeu assinar carteira de trabalho e fornecer assistência médica na temporada seguinte. Para ela, parte do auxílio recebido era usado no custeio do combustível, uma vez que a jogadora morava em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, e treinava em Porto Alegre, a cerca de 20 quilômetros de distância. Os treinos eram à noite, de quatro a cinco vezes por semana, e os jogos aos sábados ou domingos.

A atleta contou que, na época, aquele era o único time feminino do Grêmio e que o elenco tinha acesso às dependências do clube normalmente. "Treinava no CT do Grêmio, vestia a camisa do Grêmio, o time feminino tinha um diretor responsável, um coordenador, técnico, fisioterapeuta, todos do Grêmio, então, para mim, era um time profissional do Grêmio", disse Jéssica ao Estado.

A lesão ocorreu durante treinamento ocorrido em um dia chuvoso. Apesar de os trabalhos serem realizados no CT do clube, segundo Jéssica, neste dia, o time treinou no CT do São José, que tem gramado sintético. A lateral-direita escorregou no solo encharcado em disputa de bola e teve o ligamento do joelho rompido. Jéssica disse que a lesão foi diagnosticada pelo departamento médico do Grêmio, que fez o exame de ressonância magnética no clube e obteve o laudo do médico responsável pelo mesmo.

Em seguida, de acordo com ela, o Grêmio pediu que procurasse o Sistema Único de Saúde (SUS) e não deu mais assistência para ela. "Falei com o diretor, com um coordenador, mas todos ficaram enrolando para que não dissesse nada que os comprometessem", relatou ao Estado.

SUS - Jéssica contou ainda que procurou o SUS em 2018, fez uma primeira consulta no Posto de Saúde Municipal da cidade de Passo de Torres, em Santa Catarina, e ainda aguarda uma segunda avaliação com o especialista. A partir daí, daria encaminhamento ao procedimento cirúrgico. Ela não jogou mais futebol. O município catarinense é o lugar onde moram os pais de Jéssica, com quem teve de ficar após a lesão.

Dois anos depois, Jéssica é uma ex-atleta. Ela trabalha como vendedora autônoma em uma distribuidora. O trauma no joelho não permite que faça atividades simples do dia a dia, como agachar ou subir em uma moto, sua principal ferramenta de trabalho. "É uma dor constante, cada vez que piso em um buraco, por exemplo, é como se tivesse lesionado tudo de novo", diz.

A ex-jogadora relatou que ficou psicologicamente abalada com a situação. "O futebol era um sonho e era minha profissão. Agora estou trabalhando conforme consigo", disse. O advogado de Jéssica, Matheus Barros, diz que, caso não haja acordo com o clube, a atleta vai processar o Grêmio, pedindo indenização e custeio do tratamento cirúrgico. "A argumentação gira em torno das provas testemunhais do ocorrido, que seriam as colegas de time, a falta de equiparação com o futebol masculino, já que categorias de base recebem os benefícios médicos, e o fato de outras colegas conseguirem a cirurgia e ela não", explicou.

O QUE DIZ O GRÊMIO

Em entrevista ao Estado, o diretor jurídico do Grêmio, Nestor Hein, disse que o time do qual Jéssica participou era amador e não tinha benefícios previstos nem vínculo - apenas a ajuda de custo no valor de R$ 220. "Em 2017, o futebol feminino era amador. Nessa ocasião, a associação de futebol promoveu um torneio e elas jogaram pelo Grêmio como amadoras. Tivemos atletas que se machucaram, mas como não havia plano de saúde, uma dessas meninas procurou o SUS, ela operou e hoje está bem", conta.

De acordo com Hein, o time feminino só se profissionalizou um ano depois, em 2018. A atleta teria participado, então, do Torneio Amador Interclubes, organizado pela Associação Gaúcha de Futebol Feminino. Apenas no ano seguinte, a Federação Gaúcha de Futebol organizou o campeonato estadual amador e profissional, o Gauchão Feminino. O diretor confirmou que Jéssica procurou o clube e que a direção a orientou a ir atrás do SUS para que fosse encaminhada a um médico especialista. Ao comentar o caso, a CBF informou, em nota, que não foi notificada e que "essa é uma relação entre atleta e clube".

LEGISLAÇÃO - O advogado de direito desportivo Tárcio Barros afirmou ao Estado que, de acordo com a lei, o Grêmio deve custear a cirurgia da ex-jogadora. "A Justiça é bem taxativa. Independentemente de ser amador ou profissional, o clube é responsável pelo tratamento da atleta, seja cirúrgico ou não", entende Barros. O advogado explicou ainda que a atleta estava prestando um serviço ao clube no momento da lesão - enquanto treinava - e, por isso, o Grêmio tem a responsabilidade de assisti-la e ajudá-la para que pudesse realizar a operação no joelho lesiono.


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