27 06 2020 regiao reabertura salto mortesO aumento da flexibilização no Vale do Paraíba repercutiu no número de casos confirmados de Covid-19, que bateu todos os recordes em junho, e na quantidade de pessoas que não resistiram à doença.

O crescimento da quantidade de mortes levou o governo estadual a brecar a ampliação da reabertura econômica na região. Também pesou para a decisão o maior número de pacientes internados.

Em São José dos Campos, por exemplo, a taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusivos para Covid-19 passou da casa de 78% nesta semana, o maior número desde o início da quarentena.

A resposta do município veio em forma de decreto que permite a abertura apenas de atividades essenciais aos finais de semana e feriados, além de acelerar a construção do Hospital de Retaguarda, que permitirá a ampliação dos leitos Covid-19 na cidade.

São José lidera o ranking da doença na região, com todos os indicadores acima das cidades. São 2.750 casos até sexta-feira (26/06) e 87 mortes, 44% e 39% do total da região.

A doença acelera na cidade

O número de casos confirmados em São José cresceu 34% nesta semana na comparação com a semana anterior. No mesmo período, o percentual de mortes subiu 21%.

Na comparação de junho com maio, a cidade registra 217,5% a mais de casos e aumento de 135% nos óbitos por Covid-19, números expressivos e que mostram a necessidade de medidas de contenção da doença.

Não à toa, o governo estadual admitiu nesta sexta que pode recomendar um endurecimento da quarentena em São José, como foi feito com Campinas e Sorocaba.

“Semanas atrás tivemos o próprio prefeito de São José dos Campos entrando com medidas judiciais, que não foram atendidas, para liberar o comércio de São José dos Campos. Hoje, o mesmo prefeito compreende, acertadamente, que é hora de restringir o comércio e preservar vidas. Tudo aquilo que orientamos no Plano São Paulo”, disse o governador João Doria (PSDB), em resposta à pergunta feita durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, completou afirmando que ainda não existe recomendação para o fechamento em São José, mas que a medida não está descartada.

“Vamos observar diariamente e, se for necessário, a faremos. Muito positivo que o prefeito tenha agido e tomado as restrições diante do aumento observado na cidade”, disse o secretário.

Raio-X

A doença cresce em todo o Vale do Paraíba, mas de forma desigual. É nítido o avanço da Covid-19 com maior velocidade nas principais e maiores cidades, que funcionam como polos de desenvolvimento regional, caso de São José, Taubaté e Jacareí.

Segundo pesquisadores, a Via Dutra funciona como um dos principais vetores de expansão do vírus, o que faz com que as cidades às margens da rodovia registrem aumento dos casos, como em Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Lorena, além das três maiores do Vale.

Considerando as cinco sub-regiões da RMVale, o grupo de oito cidades liderado por São José é responsável por 3.655 casos positivos, 58% do total do Vale. Jacareí, Caçapava e Igaratá fazem parte deste núcleo, que registra 127 mortes, 56% da totalidade do Vale.

As quatro cidades do Litoral Norte formam a sub-região 5 e respondem por 18,5% dos casos, com 1.164 confirmados, além de 46 mortes (20%).

Liderada por Taubaté, a sub-região 2 tem 910 diagnósticos positivos para a doença (14%) e 32 óbitos (14%). O grupo é formado por mais nove municípios.

Na sequência, a sub-região 3, de Guaratinguetá e oito municípios, registra 450 infectados (7%) e 14 mortes (6%).

O Vale Histórico é representado pelos oito municípios da sub-região 4, que acumula 106 (1,6%) casos confirmados de Covid-19 e 6 mortes (2,6%).

Em junho, todas as cinco sub-regiões registraram aumento do número de casos e de morte em decorrência do coronavírus. A campeã foi a sub-região 2, de Taubaté, com 255% de alta nos casos e 166% nas mortes.

A sub-região 1 (São José) aumentou os casos confirmados em 199% e as mortes em 131%.

A sub-região 3 (Guaratinguetá) teve 171% a mais de infectados e 100% de alta nos óbitos, mesmo percentual da sub-região 4 (Cruzeiro), que ainda teve 141% a mais de casos de Covid-19. Por fim, a sub-região 5 (Litoral Norte) aumentou o número de doentes em 85%, o menor percentual do Vale, e as mortes em 254%, recorde da região.


an paulo bento

an luiz octavio