25 05 2020 regiao isolamento baixa casos altaO Vale do Paraíba entra na semana decisiva ao enfrentamento do novo coronavírus com os principais indicadores em baixa, o que coloca em risco a flexibilização da quarentena em junho. Também aumenta a chance de lockdown (bloqueio total) em cidades da região.

Segundo o Comitê de Contingência do Coronavírus em São Paulo, as condições para um lockdown são a combinação de queda na taxa de isolamento, crescimento de casos confirmados de Covid-19 e de mortes e aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

O Vale atende aos requisitos

Das sete cidades da região que estavam na liderança estadual com os maiores índices de isolamento só restam duas -- São Sebastião e Ubatuba.

Nove das 11 cidades monitoradas no Vale não têm conseguido o índice mínimo de 55% de taxa de isolamento desde a semana passada, de acordo com o Simi (Sistema de Monitoramento Inteligente), do governo estadual.

Considerando a média das 11 cidades, a região teve os piores índices de isolamento na última semana, entre 50% e 53%.

Por outro lado, o número de casos confirmados de Covid-19 no Vale aumentou 198% em maio, passando de 572 para 1.707 em 25 dias. No mesmo período, as mortes passaram de 32 para 71, alta de 129%.

Em um mês, os casos positivos da doença subiram 364% e as mortes, 223%.

Para flexibilizar, o governo recomenda queda sustentada de casos por 14 dias. O Vale ainda está longe dessa condição.

Leitos

Quanto à ocupação de leitos de UTI, poucas cidades divulgam o dado regularmente.

Em São José dos Campos, que tem 36% dos casos positivos do Vale e 44% das mortes, os leitos destacados para atender a pacientes com Covid-19 estão com 61,76% de ocupação -- dado de 22 de maio. Há um mês, o índice era de 18%.

No mesmo período, os leitos de enfermaria passaram de 18,6% para 49,71% de ocupação, segundo dados da Secretaria de Saúde da cidade.

Em Taubaté, a ocupação de leitos de UTI está em 35%, aumento ante os 30% de há um mês. No mesmo intervalo, a ocupação de leitos de enfermaria caiu de 40% para 23%, mas com subida na comparação com 1º de maio, quanto estava em 10%.

“O ritmo de mortes no interior, em seis regiões [incluindo o Vale], já é superior ao da Região Metropolitana de São Paulo. Todas as cidades paulistas acima de 15 mil habitantes já tem o coronavírus. Os números vêm crescendo no interior”, disse o Marco Vinholi, secretário estadual de Desenvolvimento Regional.

Lockdown

Para o médico Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e coordenador do Comitê de Contingência do Coronavírus, o lockdown seria adotado para evitar a falência do sistema de saúde, quando a quantidade de leitos não for mais viável para atender a demanda.

Ele cobra da população adesão ao isolamento para evitar chegar a esse quadro, que não é irreal, como ele mesmo admite.

“A população terá oportunidade de fazer a sua parte, mostrar que o vírus pode ser mantido e circunscrito na sua circulação. Estamos vivendo dias de batalha intensa contra o vírus”.

Segundo ele, se a população demonstrar que os índices de isolamento podem aumentar a valores próximos de 60%, “estará demonstrando que podemos reverter essa luta”.

Ele admite que “estamos perdendo, mas podemos passar a equilíbrio e passar a vencer”.

“A única forma para vencer é restringir a circulação do vírus. Mantendo o vírus sob controle, acuado e não permitindo que circule. Esforço enorme para que medidas mais duras [como lockdown], que prejudicarão a todos, não sejam necessárias”, disse Covas.


an paulo bento

an luiz octavio