bn cmc 26 08 2019        an luiz octavio        bn pref crz setembro 2019

 

29 07 2019 regiao trabalho escravoApós a força-tarefa contra restaurantes em São José dos Campos acusados de manter funcionários em condições 'degradantes e insalubres', análogas à escravidão, a Secretaria estadual de Justiça e Cidadania deve criar um Núcleo Regional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo para atender a RMVale.

O núcleo regional terá sede em São José dos Campos e vai atender toda a região. A conclusão está prevista para acontecer entre os meses de setembro e outubro.

O sistema deve ser formado pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho, Justiça Federal, Estadual e do Trabalho, Defensorias Públicas, Polícia Federal Civil e Militar, Gerência Regional do Trabalho, Secretarias de Estado: Segurança Pública, Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Econômico, Educação, Saúde, Habitação, Ongs que atuam envolvidas com a temática e Prefeitura de São José dos Campos.

A RMVale possui características que favorecem trabalhos análogos à escravidão. É o que afirma o coordenador estadual do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo, Ricardo Alves. "O Vale, em função da rodovia Presidente Dutra, se torna mais vulnerável à delitos como tráfico internacional de pessoas e trabalho escravo, justamente por ser uma porta de entrada importante na região", disse o coordenador estadual do Núcleo, Ricardo Alves.

"É importante alertar a população para que qualquer suspeita, ainda que seja uma informação, é fundamental que cheguem aos órgãos responsáveis pelo enfrentamento", explicou Ricardo.

Força-tarefa

A última semana foi marcada pela força-tarefa que inspecionou restaurantes em São José, acusados de manter funcionários em condições 'degradantes e insalubres', análogas à escravidão. A investigação trabalha com a possibilidade dos estabelecimentos integrarem uma rede de trabalho escravo que atua na região e no estado.

Dois alojamentos foram inspecionados em São José durante a última quinta-feira. De acordo com os órgãos, as casas situadas nos bairros Jardim Esplanada e Bosque dos Eucaliptos abrigavam juntas mais de 30 funcionários.

As moradias tinham lixo nos cômodos, mofo, mau-cheiro e banheiros sem higienização. A reportagem acompanhou a ação da força-tarefa com exclusividade em São José.

A operação teve início após uma denúncia feita, no dia 17 de julho, por quatro ex-funcionários do restaurante Ydaygorô, na zona oeste. O estabelecimento encerrou as suas atividades na quarta-feira, depois da denúncia.

Os responsáveis negaram todas as acusações dos ex-funcionários. "O proprietário é da Bahia, a contratação dos funcionários é feita lá, onde o serviço é escasso, e ele traz essas pessoas para uma oportunidade aqui em São José. É oferecido um aluguel de uma casa grande, que acomoda cerca de 20 pessoas, nem todas moram lá. A responsabilidade para mobiliar a casa é dos colaboradores", afirmou a nutricionista Liara Camilo Leite, funcionária há sete anos no restaurante.

Em depoimento à polícia, os ex-funcionários disseram que a moradia e até mesmo os materiais de higiene eram descontados do salário e que não recebiam o dinheiro.


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