Nas redes sociais, Tais chegou a publicar foto com o filho e a frase "te amo".Mãe e padrasto confessam crime com frieza

Sexta-feira, 18. No início da noite, vizinhos da residência 62 da Rua São Camilo, no Jardim São José, região da Vila Brasil, ouvem o choro estridente de João Pedro Albano Ribeiro, de 3 anos. “Estão batendo na criança outra vez”, comenta moradora próxima. Segundo as versões, não teria sido a primeira surra.

Sábado, 19. Logo cedo, Tais Aparecida Albano, 23 anos, a mãe da criança, e Mauro Gleydson Lima Aguiar, 22 anos, o padrasto, informam aos familiares não saber o paradeiro de João Pedro. A notícia do desaparecimento chega às redes sociais da Internet e repercute nos compartilhamentos.

 

Domingo, 20. O policial Alexandre de Biazze acorda pensando no caso. A experiência do chefe da equipe de investigados da Polícia Civil supõe algo estranho. Uma criança não desapareceria dessa maneira. Certamente seria vista nas ruas nos arredores da residência da família. Rapto seria outra hipótese.

Ainda na manhã de domingo, apesar de ser dia de folga, Biazze chama o colega de trabalho, o investigador Abílio Rodrigues, para desvendar o intrigante caso. Durante a tomada de informações preliminares, os policiais são informados do comportamento de Tais e Mauro e dos constantes choros do menino.

No momento em que Biazze e Abílio chegam à residência do casal, perto das 11 horas, os dois ainda estão dormindo. A mãe e o padrasto evitam falar sobre as supostas agressões e alegam não saber do paradeiro do menino.

Tais e Mauro são levados para a DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Ouvidos em separado, apresentam versões contraditórias. Encurralada pelo cerco de perguntas dos investigadores, Tais Albano não resiste e passa a narrar detalhes da noite de sexta-feira. A confissão é compartilhada por Mauro Aguiar.

O CRIME

Segundo o casal, no dia do crime, pouco depois das 18 horas, João Pedro chorava muito. Irritada, Tais o agrediu com uma chinela, achando que “fosse birra do filho”. Naquele momento, o menino vomitou líquido verde.

Após a mãe, foi a vez do padrasto. Mauro Aguiar empregou cabo de vassoura como se fosse um porrete. Impiedosamente, o homem desferiu vários golpes no corpo de João Pedro, fatais os que causaram marcas de traumatismo craniano.

Com a criança morta, Tais e Mauro decidiram encontrar local para enterrá-la. Depois, tratariam de anunciar o desaparecimento na tentativa de evitar a descoberta do hediondo assassinato.
Tais saiu de casa com João Pedro nos braços, envolvido numa manta, como se estivesse dormindo. Mauro cuidou de levar a enxada. Da Rua São Camilo, o casal caminhou pela Rodovia Avelino Jùnior (Cruzeiro – Sul de Minas) até acessar a Avenida Florindo Antico, na região do Bairro KM 4. Num ponto ermo, próximo ao local de descarte de lixo, Mauro abriu buraco raso no matagal para ocultar o corpo. Tais permaneceu no acostamento da avenida naquele momento.

22 01 2019 policia 06A FRIEZA

Eram 13hs40 de domingo quando Tais acompanhou os investigadores Biazze e Abílio ao local da “cova”. Segundo os policiais, a mulher narrou todos os detalhes sem demonstrar nenhum arrependimento, com extrema frieza.

No início da escavação, Biazze visualizou o tórax de João Pedro coberto com blusa azul e, em seguida, o rosto marcado por várias escoriações. O cadáver foi removido pelo Resgate do Corpo de Bombeiros enquanto os agentes do IC (Instituto de Criminalística) iniciavam a perícia.

Mais tarde, na residência do casal, os policiais encontraram o cabo de vassoura e a enxada, as armas do crime. Ainda na casa, despertou a atenção o encontro de gesso cirúrgico no formato infantil. Biazze e Abílio descobriram que o material foi utilizado no procedimento médico para curar fratura no braço direito de João Pedro, suposta consequência de uma das agressões anteriores. A mãe confessou que o gesso cirúrgico foi retirado por ela, sem nenhuma orientação médica.

Tais e Mauro foram presos em flagrante por assassinato hediondo e ocultação de cadáver.

PREVARICAÇÃO?

Segundo familiares e conhecidos, as frequentes agressões de Tais e de Mauro teriam sido encaminhadas ao Conselho Tutelar do Menor. As versões também asseguram que Juan Pablo Ribeiro, pai de João Pedro, tratava de conquistar a guarda do filho. Até a publicação desta reportagem, o Conselho Tutelar do Menor não havia emitido nenhum comunicado a respeito das denúncias de agressões ao menino.

Casal está em penitenciárias da região

Na manhã de segunda-feira (21), Tais e Mauro foram ouvidos em audiência de custódia, no Fórum de Guaratinguetá, e depois transferidos. Tais Albano está na Penitenciária Feminina de Tremembé e Mauro Aguiar na Penitenciária II, em Potim.

22 01 2019 policia 03

22 01 2019 policia 04

22 01 2019 policia 02

 

 

22 01 2019 policia 01

 


an paulo bento

an luiz octavio