an luiz octavio        an pref crz jan 2020

 

Manchete retrata divisão do PMDB em CruzeiroDurante os seis anos do governo de João Bastos, o vice-prefeito Celso de Almeida Lage se preparou e formou base para disputar as municipais de novembro de 1982 esperando contar com apoio irrestrito do PMDB. Afinal, teria sido esse o acordo firmado com Bastos nas eleições de 1976. Todavia, não foi como o combinado.

Faltando pouco mais de três meses para o pleito de novembro de 1982, João Bastos decidiu mudar a estratégia. “Cada eleição tem a sua característica. Senti naquela eleição que deveríamos lançar dois candidatos a prefeito para evitar o risco da derrota. O problema não estava na capacidade eleitoral do Celso Lage. Pelo contrário, o Celso estava muito bem preparado. O problema era político e de momento”, justificou Bastos.

Diante do temor da perda do comando político, o líder convenceu a direção partidária a lançar as candidaturas a prefeito de Celso Lage e de Paulo Scamilla, conforme previa a chamada lei da sublegenda. Na reunião da cúpula peemedebista, apenas o vereador Pedro Buzato votou contra a sublegenda ao lembrar o compromisso “já assumido com o Lage e que isso vai dividir o partido”.
Informado da decisão, Celso Lage reagiu com repulsa à estratégia de Bastos e ainda acusou Scamilla de traidor. Por sua vez, Scamilla respondeu que “sou soldado do partido e o que for decidido eu acatarei”. Na convenção do PMDB, a votação assegurou a Paulo Scamilla a legenda, ficando Lage com a sublegenda. José Mário Guerra da Silva foi o indicado para vice de Scamilla e Luiz Carlos Rocha Gaspar para vice de Lage.

Durante a campanha, João Bastos dividia seu tempo entre os palanques eleitorais nas cidades da região, na disputa por vaga na Câmara Federal, e os de Celso e de Scamilla. Restando poucas semanas para o pleito de 15 de novembro, Bastos abandonou o palanque de Celso Lage, justificando “não ser lá bem recebido”.

Além de Celso Lage, Paulo Scamilla e Hamilton Mendes, o pleito de 1982 também foi disputado por Carlos César Fernandes (PTB) e Francisco Roxo (PDT).
Nas urnas, o resultado refletiu a estratégia de João Bastos. Candidato de oposição, Hamilton Vieira Mendes somou 10.369 votos, mas foi derrotado pela totalização dos dois candidatos do PMDB. Com 8.703, Paulo Scamilla foi eleito contando a seu favor os 6.693 dados a Celso Lage.

O RECURSO – Da Justiça Eleitoral local, passando pelo Tribunal paulista e pelo Tribunal Superior Eleitoral, Hamilton Mendes percorreu longo caminho até o Supremo Tribunal Federal na tentativa de anular a candidatura de Paulo Scamilla. Entendia Mendes que, por ser Tabelião, Scamilla ocupava função pública e que, por tal razão, deveria ter se desincompatibilizado do cargo seis meses antes das eleições de novembro.

Apesar dos argumentos e da persistência, a investida de Hamilton malogrou. Na sessão do dia 5 de dezembro de 1984, o Supremo Tribunal Federal derrubou a ação por 11 votos, decisão unânime.

Mendes entendeu como decisiva a influência política do deputado federal Ulisses Guimarães em favor de Paulo Scamilla. Além de indicar o renomado advogado Sigmaringa Seixas para a defesa do amigo, Ulisses ainda conseguiu interromper a sessão de julgamento no momento em que Hamilton Mendes fazia a exposição de motivos da ação. Com a chegada do deputado, o presidente do Tribunal suspendeu a sessão para recebê-lo e, posteriormente, anunciou que os trabalhos seriam retomados outro dia.

No final da tarde do dia 5 de dezembro, o caso chegou ao final. Além da unanimidade, Hamilton também disse ter ficado surpreso com a mudança de opinião do ministro Oscar Correia. Antes, o ministro havia emitido parecer favorável à ação, mas mudou de opinião após a estada de Ulisses no Supremo.

ELEIÇÕES 1982

(15 de novembro)

Total de eleitores       32.506

Comparecimento       29.220   (89,89%)

Abstenção                   3.286  (10,11%)

Brancos                        1.672  (5,72%)

Nulos                            1.097   (3,75%)

PARA PREFEITO

Hamilton Mendes        (PDS)            10.369

Paulo Scamilla               (PMDB)          8.703

Celso Lage                      (PMDB)          6.693

Carlos Fernandes          (PTB)                  405

Francisco Roxo              (PDT)                  271

DEPUTADO ESTADUAL

Geraldo Alckmin        (PMDB)      11.932

Waldomiro Carvalho  (PDS)           2.386

Wadih Helu                  (PDS)           3.316

Arthur Ballerini           (PDS)            648

Ary Kara                       (PMDB)        613

DEPUTADO FEDERAL

João Bastos               (PMDB)         13.901

Salles Leite                (PDS)               2.856

Paulo Maluf              (PDS)                 1.464

Vicente Penido         (PDS)                  940

SENADO

Severo Gomes                    (PMDB)   9.293

Almino Afonso                    (PMDB)   5.323

Adhemar de Barros Filho  (PDS)       5.312

Papa Júnior                          (PTB)          428

GOVERNADOR

Franco Montoro        (PMDB)     15.201

Reinaldo de Barros    (PDS)           9.600

Jânio Quadros            (PTB)               459

Rogê Ferreira              (PDT)              265

Lula                               (PT)                 221

 

comicio de 82

BASTOS E ALCKMIN, A DOBRADINHA QUE MOBILIZOU A REGIÃO

No final da década de 1970, o Brasil experimentava as primeiras transformações políticas permitidas pelo regime militar. Mesmo que ainda restrita, a chamada abertura política proporcionava o ressurgimento do pluripartidarismo.

A reforma de 20 de dezembro de 1979 fez ressurgir o PTB e o PDT enquanto o PT engatinhava. Existentes desde a implantação do militarismo em 1964, o MDB mudou para PMDB e a ARENA para PDS. Em 1982, fruto do avanço das reformas pela redemocratização do País, foram retomadas as eleições diretas para os governos dos estados.

Na fase de reorganização partidária, Franco Montoro, Orestes Quércia, Ulisses Guimarães, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, principais líderes do PMDB, entendiam que o desempenho eleitoral da agremiação no Vale do Paraíba seria essencial para a conquista do Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo do Estado.

Naquele período, por despontarem como novos líderes políticos regionais, João Bastos e Geraldo Alckmin, prefeito de Pindamonhangaba, foram indicados pelo partido para as vagas de deputados federal e estadual.

“Cruzeiro e Pinda, unidas pelo Vale do Paraíba”. O slogan da campanha repercutiu fortemente na maioria das cidades do Cone Leste Paulista.

“Sabíamos que os votos locais somados aos de algumas outras cidades não seriam suficientes para assegurar nossas eleições. Dessa forma, Geraldo e eu partimos para ampla campanha em mais de trinta municípios e, com o apoio da maioria dos prefeitos, de vereadores e de lideranças locais, conseguimos consagrar a dobradinha como a de maior sucesso na história política do Vale”, comentava João Bastos.

João Bastos foi eleito com 63.801 votos, somados os 13.901 obtidos em Cruzeiro, os 15.400 em Pinda e os demais nas cidades da região. Geraldo Alckmin foi eleito deputado estadual com 96.232.


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