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O Impacto História - Paulo Antônio de Carvalho

a lei do cangaco

A manchete do Jornal GAZETA DE CRUZEIRO, edição de 24 de outubro de 1954, pode ser encarada como sensacionalista e direcionada a atos de vandalismo atribuídos a partidários avelinistas. Contudo, o comentário retratou um capítulo do maior ciclo de radicalismo da história de Cruzeiro, consequência do resultado das eleições estaduais de 15 de outubro.

A disputa por vaga na Assembléia Legislativa ocasionou o primeiro embate direto entre Avelino Júnior e Diogo Bastos. Vantagem para Bastos, eleito deputado com 8.588 votos, o oitavo mais bem votado na legenda do PSP. Avelino Júnior não teve a mesma sorte. Com cerca de 5.000 votos, ficou em décimo lugar na lista de suplentes do PSD.

Consequência da vitória de Bastos, partidários mais radicais de Avelino não se conformaram. Segundo a versão do jornal, eles teriam espalhado o terror na cidade, com agressões até contra mulheres e crianças de famílias de correligionários de Diogo Bastos.

Os atentados, segundo o jornal, teriam partido do chamado “quartel general de Avelino Júnior”. Um dos trechos da reportagem revela que “partidários do prefeito Avelino Júnior puseram-se a percorrer as ruas, vilas e bairros, espalhando por toda a parte o terror e o desassossego, atirando e esfogueteando residências de adversários políticos. Foi uma noite de tremendo pânico assinalada por atos de covardia”.

A residência de Diogo Bastos teria sido atingida por pedras, tiros e foguetes. “Foi uma noite de pânico”, ressaltou o jornal sobre os fatos ocorridos na noite de quinta-feira, 21 de outubro de 54.

Antes e depois das eleições estaduais daquele ano, o período foi marcado por acirradas disputas, cilada e autoritarismo. Diogo Bastos e Avelino Júnior buscavam votos para deputado estadual. Nos palanques, os dois líderes pregavam a tradição da cidade no contexto regional, faziam promessas e, claro, trocavam críticas, algo comum em todas as campanhas eleitorais.

AS ESTADUAIS DE 1954

PARA GOVERNADOR

Prestes Maia           3.087

Ademar de Barros   3.074

PARA DEPUTADO ESTADUAL

Avelino Júnior         3.238

Diogo Bastos          2.770

Apesar de derrotado em Cruzeiro, Diogo Bastos somou 8.588 votos na contagem geral e Avelino Júnior 5.000. A votação garantiu a Bastos vaga na Assembléia Legislativa.

Além da projeção local, Diogo Bastos contava com forte apoio em outras cidades. Nomeado Presidente da Caixa Econômica Estadual pelo governador Lucas Garcez em 1953, Bastos contava com grande prestígio no palácio do governo paulista.


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